Category: Tropicália


Musas da MPB no Feirão do Vinil

By Feirão do Vinil,

 

Musas da MPB – Primeira Parte

 

A música popular brasileira sempre foi riquíssima de compositoras e interpretes femininas. De Chiquinha Gonzaga a Anita – e aqui, é preciso entender que não há a intenção de comparar as obras das artistas citadas ou mesmo a importância, qualidade ou qualquer outra característica que, muitas vezes, está mais relacionada ao gosto e opinião de quem ouve a musica do que qualquer outra coisa –, o número de mulheres que deram sua contribuição na construção de um patrimônio musical (pop)ular nacional é enorme.

São tantos os nomes, são tantos os gêneros e tantas as vozes que é praticamente impossível falar sobre as musas da MPB num único artigo. Portanto, este é apenas o primeiro dos muitos textos sobre o tema que iremos disponibilizar aqui.

Para dar início à série em grande estilo, escolhemos Maria Bethânia, Elis Regina e Gal Costa, três das mais importantes cantoras surgidas na década de 1960; as três com trajetórias, características, estilos, vozes e performances interpretativas muito distintas, que dividiram os palcos num mesmo período, cada uma delas desempenhando seu papel – como artistas e também protagonistas de um período histórico conturbado –, transbordando talento, originalidade e, porque não dizer, muita coragem.

Maria Bethânia – Baiana de Santo Amaro, Bethânia teve seu despertar artístico impulsionado quando ainda era muito jovem, influenciada pelo teatro e pela poesia, quando ainda vivia em sua cidade natal. Mas foi em 1965, quando se mudou para o Rio de Janeiro, que sua carreira musical realmente começou. A princípio, apenas como substituta da cantora Nara Leão no espetáculo Opinião. Sua capacidade interpretativa e voz inigualável, ao interpretar as canções do repertório, foram o bastante para que seu nome logo ganhasse a atenção da crítica e público e, no mesmo ano, assinou contrato com a gravadora RCA, lançando seu homônimo álbum de estréia.

Dona de uma discografia – todos disponíveis no Feirão do Vinil – e protagonista de shows inesquecíveis, Maria Bethânia já vendeu mais de 26 milhões de discos, durante uma carreira que ultrapassa cinco décadas, sempre citada entre as maiores interpretes brasileiras.

Elis Regina – Muitas vezes citada como uma das – senão “a” maior – maiores cantoras que o Brasil já produziu, Elis Regina nasceu em Porto Alegre e ganhou notoriedade nacional ao se mudar para o eixo Rio-São Paulo, cantando em pequenos palcos de bares e restaurantes, chamando a atenção de compositores, produtores e diretores musicais e televisivos que freqüentavam os locais.

Talvez a mais cultuadas das interpretes femininas brasileira, mais do que sua morte prematura em 1980, o culto à Elis Regina vem de seu imenso talento e versatilidade, que a fez ser comparada – não sem razão – a nomes como Ella Fitzgerald, Billie Holliday e Sarah Vaughan. Foi musa da Bossa Nova, da Canção de Protesto e até da reabertura política (sua gravação de “O Bêbado e o Equilibrista” é até hoje visto como hino da redemocratização do país), além de dar oportunidade e revelar jovens compositores e interpretes, como os mineiros do Clube da Esquina e Milton Nascimento, para ficarmos em apenas alguns.

Gal Costa – Natural de Salvador, Gal Costa despontou como parte do grupo baiano, liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil, nos anos 1960. Tendo como mentor e principal influência João Gilberto e a bossa nova como gênero escolhido para dar início a sua carreira musical, tornou-se musa definitiva da Tropicália e do Desbunde Contracultural brasileiro da década de 70.

Sua voz marcante, que vai da leveza quase sussurrada ao grito visceral, capacitando-a de interpretar desde sambas e bossa nova até o mais estridente e lamentoso blues, se tornou marca registrada de uma época. Mas foi também a ousadia, atitude e versatilidade, expressas nas suas apresentações ao vivo e, principalmente em álbuns como “Fa-Tal” que a tornaram uma das mais festejadas estrelas de nossa música.

O Feirão do Vinil possui em seu acervo todos os discos (vinil ou CD) das musas da MPB – incluindo raridades, como o raro compacto de Gal Costa interpretando “70 neles”, marcha em apoio à Seleção Brasileira na Copa de 1986, sucesso do carnaval daquele ano.