Category: Hip Hop


Promoção do Feirão do Vinil dá descontos e oferece discos a 2 reais.

By Feirão do Vinil,

 

 

Promoção do Feirão do Vinil dá descontos e oferece discos a 2 reais.

 

Deu a louca no Feirão do Vinil! Além de oferecer álbuns e compactos de vinil, CDs, DVDs e outros formatos, mesmo raros e importados, a apenas 5 reais a peça, a loja agora também está promovendo uma série de descontos e promoções.

Agora, a cada 40 reais em compra os clientes da loja ganham um desconto de 5 reais, que o comprador pode investir na aquisição de mais um vinil, CD ou DVD, enriquecendo ainda mais sua coleção.

Mas não é só isso. O Feirão do Vinil também acaba de inaugurar uma seção de discos em promoção a 2 reais a peça.

Imperdível para colecionadores e aficionados por música.

 

Feirão do Vinil – Esquina Cultural

Rua Quintino Bocaiuva, 309 – Sé

Tel. 3105-6714

Tá Chegando Mais

By Feirão do Vinil,


O Acervo do Feirão do Vinil Recebe Mais Novidades esta semana

O Feirão do Vinil começa o ano de 2018 com uma nova leva de discos que devem fazer a cabeça de seus clientes e colaboradores. O acervo, que já era enorme, esta semana deve receber a aquisição de mais 10 mil LPs em vinil, 2 mil CDs e mil DVDs. Todos pelo preço de 5 reais a peça.
Os títulos fazem um apanhado de todos os gêneros, ritmos, artistas e épocas. Representando um dos mais variados e diversificados catálogos que passam pelo rock, MPB, Jazz, Pop, Hip Hop, musica sertaneja, brega, samba, bossa nova e etc.
A promoção continua imperdível.

James Brown o Rei do Soul e do Funk

By Feirão do Vinil,

Ritmo, poesia e revolução

Na segunda metade dos anos 60, James Brown já ostentava o título de “Irmão Numero Um do Soul” na América. Seu empenho e dedicação a uma carreira iniciada na década anterior renderam-lhe fama, fortuna e a legenda de “O homem que mais trabalha no showbizz”. Apesar disso, no mercado europeu sua musica ainda era o tesouro exclusivo dos DJs e mods mais descolados. Quando partiu para a Inglaterra para uma série de shows que deveriam estabelecer definitivamente sua carreira no velho mundo, um dos boatos que circulavam era o de que a viagem tinha outro objetivo: uma operação para mudança de sexo! Brown pretendia se submeter à cirurgia para assumir seu romance com seu parceiro de longa data Bobby Byrd, com quem pretendia se casar. É claro que a história era falsa! O interessante, porém, é saber que o responsável por arquitetar toda a trama e espalhar a fofoca nos bastidores do burburinho midiático da indústria musical, não era ninguém menos que o próprio James Brown! Sua lógica era a seguinte: Embora o mercado americano já estivesse ganho, durante sua ausência, um espertinho qualquer poderia aparecer e criar concorrência. Como não queria ninguém ciscando no seu quintal, era preciso manter seu nome em evidência enquanto estivesse fora. O boato escabroso foi sua estratégia para continuar em pauta.
Criador do funk e responsável por estabelecer novas regras no mercado musical – sua recusa em aceitar que um show deva se limitar a mera reprodução das músicas do disco está na raiz do que deu às apresentações ao vivo a característica de espetáculo –, para o bem e para o mal, James Brown influenciou tudo o que foi feito em musica pop depois dele. Se a obra musical tem aceitação e reconhecimento unânimes, tanto por parte do publico quanto dos especialistas, o homem divide opiniões. Da parte de seus músicos e amigos o sentimento parece um misto de admiração e rancor. Politicamente, tomou partido de causas duvidosas como apoiar a guerra do Vietnã e pedir votos para Richard Nixon, por exemplo. Isso, associado a sua boa relação com o governo, fizeram com que grupos radicais como os Black Panthers o encarassem como a encarnação de Pai Tomás. O que torna o lançamento especial é a forma como o autor refaz os passos que levaram a construção do mito no contexto histórico em que foram dados, sem tomar partido ou tecer teorias que justifiquem as atitudes de seu personagem.
De roubos de carros à conquista do mundo
O livro narra a trajetória de James Brown desde a adolescência errática entre Macon e Toccoa, na Georgia, quando o jovem vivia se equilibrando numa linha fina entre ser encarcerado e a conquista do mundo. Sua primeira passagem pela prisão por assalto a mão armada só não durou mais tempo devido à intervenção dos pais de Bobby Byrd, que assumiram a responsabilidade como tutores do garoto arredio e criador de caso. Embora soubessem o quão hercúlea seria a missão, eles acreditavam no talento do parceiro musical de seu filho. Já nessa época, seu potencial era notado, tanto pelas pessoas que o cercavam quanto por ele mesmo o que, de certa forma, o atrapalhava. A arrogância, típica dos que têm consciência de seu valor, multiplicava em muito seu magnetismo para arrumar encrenca. São tempos difíceis já tendo na música o objetivo para a vida, dividindo-se entre ensaios e apresentações com o The Famous Flames, ao lado de Byrd, e cantar no coral da igreja. Mas, também de bicos, subempregos e o roubo e desmonte de carros para faturar um extra.
De seu primeiro sucesso com “Please, please, please” (1956) e a conquista do estrelato nas décadas de 50 e 60, passando pelo processo criativo que deu origem a alguns dos hits que entraram para a história e nosso imaginário como “Papa´s got a brand new bag”, “I got you (I feel good)”, “It´s a man´s man´s world”, “Get Up (I feel like being a) Sex Machine”, entre muitos outros, o livro traça um perfil detalhado do músico de gênio difícil que amava a fama e suas vantagens, mas que também encarava as dificuldades em lidar com ela. Num dos trechos mais emocionantes, fala sobre o acidente aéreo que vitimou seu amigo na vida e rival nos palcos, Otis Redding juntamente com sua banda The Bar-Keys, em 1967. Abatido, Brown aceitou de pronto ao convite para ficar a frente entre os que conduziriam o caixão na cerimônia funerária. Chegando ao local, ficou chocado com a atitude dos fãs enlouquecidos que, mesmo num momento tão difícil, o cercaram, agarraram e chegaram a rasgar suas roupas, desesperados por algo de seu ídolo. Quando finalmente conseguiu se desvencilhar da multidão foi impedido de entrar pelos seguranças. Na confusão, tinha perdido sua credencial. Apesar de os seguranças saberem quem ele era, as ordens eram claras: para preservar a família, ninguém deveria entrar sem estar credenciado, restando a Brown voltar para casa sem poder se despedir do amigo.
Negro e com orgulho
Não é exagero incluir o nome de James Brown entre os que mais fizeram pela emancipação da América negra. Consciente de sua negritude ergueu como poucos a bandeira do orgulho negro em entrevistas e composições que levantavam o moral dos seus e se tornaram hinos na luta pelos direitos civis, como “(Say it loud) I´m Black and proud!”. Defendia que a revolução da América negra estava na educação, não nas armas. Seu carisma e poder de persuasão sobre as comunidades negras faziam dele quase tão influente quanto o Doutor Martin Luther King. E é justamente com o assassinato de King que tal característica fica evidente. Se as ruas pareciam barris de pólvora naqueles dias turbulentos, a fagulha que provocou a explosão foi fornecida no fatídico 4 de abril de 1968, quando o pastor e ativista foi alvejado por tiros num atentado covarde. Na mesma data, o musico se apresentaria em Boston para um show muito aguardado. Cancelar o evento poderia acirrar ainda mais os ânimos. A solução encontrada foi exibi-lo ao vivo pela TV, num acordo financeiro entre a prefeitura, James Brown e os organizadores. Como ninguém perderia a oportunidade de assistir ao Mr. Dynamite da poltrona de casa, Boston foi a única cidade a não registrar tumultos naquela noite. No dia seguinte, representantes do governo caçavam Brown para que gravasse os vídeos que foram veiculados nas TVs de todo o país, nos quais pedia paciência e reforçava seu poder conciliador. Embora bem explorado aqui, o episódio é tão importante que uma leitura de O dia em que James Brown salvou a pátria, de James Sullivan, lançado aqui pela Zahar Editores, serve como complemento.

Michael Viner´s Incredible Bongo Band

By Feirão do Vinil,

A Surf Music, o Cinema B, o Beatle, o Assassino e a origem da Batida Fumegante

O que há em comum entre o grupo britânico The Shadows, o assassinato de Bob Kennedy, um filme de terror B chamado “A Coisa de Duas cabeças”, um músico que, induzido por vozes do além, assassiou a própria mãe a golpes de martelo, o ex-Beatle Ringo Starr e o nascimento da batida perfeita do Hip Hop? Resposta: Michael Viner e sua Incredible Bongo Band.
Lançado em 1973 o álbum “Bongo Rock”, da Michael Viner´s Incredible Bongo Band, teria caído no esquecimento não fosse a apropriação da faixa “Apache”, versão de um clássico da surf music sessentista na gravação dos Shadows, pelo DJ jamaicano Kool Herc ainda na fase embrionária do movimento Hip Hop.
Ainda hoje, a santíssima trindade do ritmo e do risco, formada por Herc, Grand Master Flash e Afrika Bambataa, defende a música como a pedra fundamental da batida do rap. E, embora na época de seu lançamento “Bongo Rock” não tenha representado um sucesso arrebatador em vendas, hoje o vinil é disputado a tapas por DJs ao redor do mundo.
Mas este disco vai muito além de “Apache”, tratando-se de um dos melhores exemplares de “disco-para-balançar-as-pistas” já feito. Ao longo das oito faixas originais que compunham o álbum, todo ele instrumental, encontram-se pérolas como a versão do grupo para “In-A-Gadda-Da-Vida”, clássico proto-heavy metal (se é que isso existe) do Iron Butterfly, ou “Let There Be Drums”, famosa tanto na versão de Sandy Nelson, como na dos Ventures, num misto de groove funky, guitarras psicodélicas e percussão poderosa. É deixar rolar e a festa pegar fogo!
Mas a coisa não termina ai. Como todo clássico Cult, “Bongo Rock” possui uma história digna de um romance pulp experimental, carregado de humor e violência bizarra.
Começa quando Michael Viner, depois de perder seu emprego na campanha de Bob Kennedy, após o assassinato do congressista, muda-se para Hollywood para assumir o papel de executivo no departamento de trilhas sonoras dos filmes da MGM.
Encarregado de cuidar da trilha de um terror B intitulado “The Thing With Two Heads (1972)”, Viner decidiu reunir uma turma de músicos de estúdio para gravar duas faixas para o filme: “Bongo Rock” e “Bongolia”. Embora até ai a colaboração entre os músicos fosse temporária, limitando-se a composição e gravação das musicas do filme, a banda foi batizada Incredible Bongo Band.
O projeto, no entanto, ganhou outras proporções quando DJs passam a executar as duas primeiras gravações em pistas de casas noturnas, resultando no inesperado sucesso, como grandes hits do momento.
Viner e seus empregadores viram a possibilidade do lucro extra que poderia render a gravação de um álbum inteiro e assim foi feito.
Uma das histórias mais cômicas envolvendo o lançamento, partiu dos executivos de marketing da gravadora. Baseando-se em uma pesquisa, o departamento acabou por concluir que o público consumidor do gênero predominante na maioria das faixas jamais investiria seu dinheiro em um disco de Black Music feito por um grupo composto por muitos integrantes brancos e poucos negros. A banda concordou e a estratégia utilizada para driblar o problema foi contratar belos modelos afro para posarem nas fotos do encarte e da capa do disco, como se fossem os integrantes da banda (deve ter sido a escola dos produtores do Milli Vanilli).
Como a banda era cada vez mais requisitada para apresentações ao vivo (embora elas nunca tenham acontecido), não demoraria para a farsa ser desmascarada. O bom senso veio à tona e a arte teve de ser mudada às pressas. Somente a primeira tiragem circulou com as fotos da banda falsa. Hoje, quando aparece uma das cópias no mercado, chega a ser disputado a tapas por colecionadores.
Apesar do sucesso de execuções, na época, o disco não chegou a confirmar as expectativas de vendas. O fracasso, no entanto, tem mais a ver com falhas na distribuição e promoção do álbum do que com as teorias mercadológicas raciais dos executivos. Talvez tenha mais a ver com o fato de, apesar de requisitadas apresentações, uma turnê de promoção do lançamento nunca aconteceu. Muito provavelmente pela dificuldade de reunir o time e sintonizar a agenda dos músicos que gravaram o álbum.
É que, na verdade, a Incredible Bongo Band é uma banda de estúdio que acabou ganhando outras proporções. A cozinha era formada por Michael Viner, músicos de estúdio e uma série de baixistas e bateristas contratados, dentre os quais se destaca o baterista Jim Gordon que tocou, entre muitos outros, com nomes como Frank Zappa, Traffic, John Lennon e Eric Clapton, na fase Derek and The Dominoes. É dele a bateria da gravação original de “Layla”.
Excelente baterista, Gordon teve uma trajetória marcada pela tragédia e aqui entra a violência bizarra prometida no início do texto.
Afundando-se em drogas e dono de um histórico clínico que ia das síndromes maníaco-depressivas aos surtos psicóticos, Gordon acabou por assassinar a própria mãe a golpes de martelo. Impossível não pensar na participação dele, durante as gravações de “Imagine”, sem enxergar a carga irônica por trás de John Lennon entoando seu hino à paz e, ao fundo, o Norman Bates do rock na percussão, somente a participação de Charles Manson no Live Aid conseguiria ser mais grotesca. Gordon foi condenado pelo crime e, ainda hoje vive internado em um hospital psiquiátrico.
A Bongo Band ainda gravou um segundo disco em 1974, batizado “Return of The Incredible Bongo Band”. Tão bom quanto o primeiro e fracasso de vendas ainda maior, o disco foi último suspiro ou o epitáfio a ser gravado na lápide de uma carreira que definhava. A Bongo Band nunca retornou dos mortos, mas seu legado, no entanto, ainda vive é sentido nas pistas de dança, já que suas músicas têm sido sampleadas à exaustão por nomes do rap e música eletrônica em geral.

Ah, onde o Ringo Starr entra nessa história? Uma das lendas não confirmadas sobre o ex-Beatle é a de que seriam do narigudo algumas das percussões gravadas no primeiro álbum. Amigo de Viner e do resto dos músicos, sua presença no estúdio é confirmada durante a maioria das sessões. Mas não se sabe se teria gravado em algumas das faixas e, sendo assim, quais delas teriam sua participação.
No Feirão do Vinil você pode encontrar este e outros títulos importantes da história da musica de pista por apenas 5 reais a peça.