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Folk Psicodélico do US69

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O Folk Psicodélico do US69

 

Uma daquelas pérolas obscuras do período que pouca gente conhece e deveria de tão bom. É o único disco que conheço desses caras e, correndo o risco de estar errado, também o único que gravaram.

Adoro a palavra, mas odeio usar o termo “psicodélico” quando o assunto é musica. Afinal, pode se referir a muita coisa e, algumas sem a menor relação, englobando dos 13th Floor Elevators aos Beatles, passando por Spacemen 3 e Mercury Ver e também Steppenwolf e Iron Butterfly – até o Serguei afirma ser psicodélico. Mas, no caso do US 69 e suas viagens musicais lisérgicas, não consegui encontrar outra definição. Sendo assim, dentre as diversas formas do universo rock psicodélico, eles estão no meio termo entre o que chamavam Psychedelic Folk e Psychedelic Jazz e se enquadram na categoria de bandas como The Insect Trust, que uniam pesquisa de efeitos sonoros eletrônicos que buscavam reproduzir no ouvinte as sensações de uma viagem de ácido, conduzidas por um amálgama de gêneros como o rock, o folk e o jazz.

Eram liderados pelo guitarrista e compositor Bill Durso. O time também contava com o baterista Bill Cartier e o baixista e flautista, Gil Nelson.

Sempre tive uma curiosidade a respeito dos outros dois integrantes que completam a cozinha; os irmãos Bob e Don DePalma, ambos multi instrumentistas, ambos de formação clássica e ambos oriundos da escola do jazz. Os irmãos DePalma possuem alguma relação com o cineasta Brian? Nunca encontrei nada a respeito. Não é só por causa do sobrenome, mas também porque descobri que, depois do US 69, durante os anos 70, a dupla passou a trabalhar para a indústria cinematográfica, conduzindo sonoplastia e compondo trilhas sonoras. Se algum de meus queridos amigos e amigas sabe se são parentes ou não, gostaria de saber.

 

Curiosidades à parte, trata-se uma excelente banda e ótimo disco e recomendo. É o tipo de álbum que se deixa rolar de cabo a rabo numa tarde de sábado ou dia de folga com os amigos ou sozinho, como trilha sonora da preguiça.

Difícil escolher uma parte de um disco cuja experiência real, só é completa no todo, mas destaco “African Sunshine” e a faixa de dez minutos que encerra a obra, “2069 – A Spaced Oddity”, certamente inspirada no filme de Kubrick e na obra de Arthur C. Clark, mas seria também uma referência a David Bowie?

Grandes títulos em Laserdisc ou LD

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Grandes títulos em Laserdisc

 

Formato que inaugurou o armazenamento digital de áudio e vídeo como produto de mercado, o LD ou Laserdisc foi desenvolvido por David Paul Gregg no final da década de 1950, sendo patenteada entre 61 e 69 da década seguinte. O Disco óptico de substrato refletivo foi adotado devido às suas grandes vantagens em comparação com o transparente.

A primeira demonstração pública do novo formato foi realizada através de uma parceria entre a MCA e a Philips em 1972. Mas como mídia de distribuição de som e imagem, o Laserdisc só chegou ao mercado em 1978, dois anos após o VHS e quase quatro anos antes do primeiro CD, cuja tecnologia está diretamente ligada ao LD.

O primeiro filme disponível no formato foi o sucesso de Steven Spielberg, “Tubarão”.

O Laserdisc teve muita popularidade a partir daí, sendo muito comercializado até meados dos anos 2000, quando deixou de ser fabricado. Mas no mercado asiático, a mídia ainda sobreviveu há até bem pouco tempo atrás.

O Feirão do vinil conta com diversos títulos em LD disponíveis em suas prateleiras. De sucessos como “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, até grandes shows de artistas como U2, Madonna, Mariah Carey, Duran Duran, Michael Jackson, óperas e etc, os fãs do formato poderão se deliciar com nossos títulos. Tudo em excelentes condições e a preços muito baixos.

 

Madonna em Vinil

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Madonna em Vinil

 

Prestes a completar 60 anos de idade, Madonna (nascida Madonna Louise Verônica Ciccone) parece longe de perder o papel de ídolo máximo da cultura pop, que mantém desde a década de oitenta com o sucesso de canções como “Holiday”, “Like a Virgin”, “Material Girl”, “Into The Groove”, “Crazy For You”, “Papa Don’t Preach”, “Open Your Heart”, “La Isla Bonita”, “Like a Prayer”, “Express Yourself”, “Vogue”, “Take a Bow”, “Frozen”, “Music”, “Hung Up”, “4 Minutes” e “Celebration”, e outras – para evitar uma lista que pareceria não ter fim.

Madonna também se inscreve entre os artistas que melhor souberam fazer uso de sua imagem e tirar proveito do sucesso da MTV com videoclipes e shows que ainda hoje vivem no imaginário popular da indústria do entretenimento. Como atriz protagonizou comédias românticas como “Quem é essa garota” e “Procura-se Susan desesperadamente”, além da adaptação para cinema dos quadrinhos de “Dick Tracy” e também atuou em musicais como “Evita”. Nunca tendo problemas com sua exposição pública, também fez uso dela para defender causas humanitárias e publicar livros como o polêmico “Sex”.

Desde que surgiu, a influencia de Madonna é praticamente inevitável em tudo o que aconteceu no universo da cultura pop, seja na musica, na moda, no cinema e etc. De Byonceé à Anitta, praticamente todas as grandes divas do universo da musica pop tem algo a agradecer a ela.

De sua estréia em 1983, passando pelos premiados álbuns “Like a Virgin”, “True Blue”, “Like a Prayer” e “Erótika”, até os discos mais recentes, o Feirão do Vinil conta com toda a discografia e filmografia de Madonna em LPs, compactos, CDs e DVDs. Tudo a 5 reais cada.

 

 

 

The Kinks – Curiosidades

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The Kinks – Dave Davies

A Flying V de Dave Davies

Os Kinks sempre serão uma de minhas bandas prediletas e sempre rendem assunto para o colega aqui. Mas o motivo deste texto é uma guitarra. A Flying “V”usada por Dave, o caçula dos Davies.

A última vez que ela apareceu em um leilão, foi arrematada por meio milhão de dólares. Instrumentos que pertenceram a artistas de renome costumam valer muito, mas o verdadeiro motivo do valor alcançado pelo item é que, além de ter sido tocada pelo irmão caçula de Ray Davies, é também o protótipo, feito em 1959, do que seria a clássica Gibson Flying V, cujo projeto tinha sido abandonado devido ao formato pouco atraente do instrumento.


A história de como a guitarra foi parar nas mãos do mais jovem e encrenqueiro dos “safados” é ainda mais interessante. Conta a lenda, que os organizadores da primeira turnê americana deles perderam o instrumento usado por Davies e, desesperados para substituí-lo, deram dinheiro ao guitarrista e o mandaram a loja mais próxima escolher uma nova guitarra.
Apesar de o The Kinks já estar galgando o caminho do sucesso, o dinheiro do caçula Dave era controlado pelo irmão mais velho, Ray, e o empresário do grupo, logo o garoto viu uma boa oportunidade de comprar um instrumento barato e embolsar o troco para outras “coisinhas”. Na loja, insistiu que não gostara de nenhum dos instrumentos disponíveis e perguntou por aquela guitarra estranha guardando poeira no fundo da loja.
Não levando a sério, o vendedor teria dito: “Isso ai? É uma guitarra velha que ninguém quer, pois é muito feia. A única garantia que posso lhe dar é que você terá um modelo exclusivo, pois não foram fabricadas outras.” Davies imediatamente fechou negócio por alguns dólares, o valor exato, o guitarrista diz já não se lembrar e voltou feliz para o hotel para agüentar a chacota dos outros integrantes da banda. O modelo começou a ser fabricado em meados dos anos 60 e ganhou popularidade na década seguinte, empunhado por artistas de glam rock, funk e hard rock.
Não dá pra dizer até que ponto Dave Davies aparecendo em shows e programas de TV com seu protótipo, colaborou para o futuro da Flying V, mas a história é muito boa e entrou para o caderno das lendas do universo pop.
O Feirão do Vinil conta com diversos títulos dos Kinks entre LPs, Compactos, CDs e DVDs. Tudo a 5 reais cada!!!

Léo Canhoto e Robertinho

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Léo Canhoto e Robertinho

 

Também conhecidos como “Os Hippies do Mundo Sertanejo”, a dupla Léo Canhoto e Robertinho foi formada em Goiânia no ano de 1968. Fizeram muito sucesso nas décadas que se seguiram com canções inesquecíveis como “Apartamento 37”, “O Último Julgamento”, “Meu Velho Pai”, “A Gaivota” e “Meu Palco Caiu”, entre outras. Mas foi com um formato totalmente original de distinguível dentro do segmento da musica sertaneja brasileira que se tornaram uma história à parte.

Inspirados por filmes de Faoeste e Western Spaguetti ou Bang-bang à Italiana, durante a década de 70 a dupla gravou uma séria de faixas que, mais do que canções, funcionavam também como roteiro de tramas violentas protagonizadas por personagens como Roque Bravo, Xerife Lobo Negro, O Homem Mau (“Mau, mesmo!”), Delega Jaracoçu e outros. Era quase como uma versão sertaneja do Samba de Breque de Moreira da Silva, estreladas por seu personagem Kid Morengueira (que será tema de um outro artigo aqui, logo mais).

As canções possuíam diálogos, sonoplastias e contavam sobre facínoras do velho oeste que chegavam para tirar o sossego de cidades tranqüilas, Xerifes corajosos que os combatiam, lutas de salão, valentões em busca de briga e tudo sempre terminava com um bom tiroteio e uma certa dose de humor. Como é de lei numa boa trama de Mocinhos e Bandidos.

A dupla chegou a estrear o clássico do Western Feijoada – subgênero, dentro do universo do cinema marginal brasileiro –, “Chumbo Quente” (1977).

A discografia de Léo Canhoto e Robertinho está entre as raridades disponíveis para aquisição no Feirão do Vinil. Tudo por 5 reais a peça.

 

Anos 80 – Palhaços e Grupos Infantis

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Palhaços e Grupos Infantis

 

O lançamento, no ano passado, do filme “Bingo – O Rei das Manhãs”, inspirado na vida do famoso palhaço Bozo, abriu as portas para um verdadeiro revival dos palhaços e grupos infantis que fizeram a alegrias das crianças da década de 80.

Durante aquele período, o segmento musical infantil, ao lado da musica brega e do sertanejo funcionaram como verdadeiro motor que movimentou a indústria do disco. Grupos como Balão Mágico e o Trem da Alegria, entre outros, além das duplas de palhaços Torresmo e Pururuca, Atchín e Espirro, Patati Patatá, sem nos esquecermos do já citado, acompanhado da Turma do Bozo, animavam as manhãs, de segunda à sábado, com gincanas, brincadeiras, desenhos e números musicais que jamais saíram da memória dos que eram crianças naquela época.

Foi uma fase fértil para a produção musical e televisiva dedicada às crianças que revelou nomes como Sérgio Malandro, A Turma do Lambe-lambe e, logo em seguida, catapultou a onda das apresentadoras Xuxa, Mara Maravilha, Eliana e Angélica, além das Paquitas, que, de ajudantes de palco da Xuxa, logo passaram a grupo independente que ganhavam não só o coração das crianças como também dos marmanjos.

A década também foi fértil na criação de musicais especiais de fim de ano dedicados às crianças que será tema de uma outra matéria aqui. Aguardem.

No Feirão do Vinil os saudosistas dos dias de glória dos palhaços e grupos musicais infantis da década de oitente encontrarão um verdadeiro paraíso. Quase toda a discografia dos artistas citados pode ser encontrada em bom estado e ao preço de 5 reais cada. Super-fantástico!!!

 

 

O Fino do Brega

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O Fino do Brega

Subgênero que divide opiniões dentro do universo da musica popular brasileira, a musica dita brega teve várias fases do início do século vinte pra cá e parece distante de perder sua longevidade. O termo, segundo alguns especialistas teria surgido em prostíbulos nordestinos e designaria a musica popular de versos fáceis, melodias simples e letras com temática ingênua e extremamente popular que pode abordar da traição conjugal, a viuvez, o alcoolismo, a morte de um ente querido e até o assassinato por vingança.
As origens do gênero remetem aos anos 30 de Vicente Celestino e suas trágicas canções em forma de opereta: O Ébrio (música-tema do torturado filme estrelado por ele e dirigido por sua mulher, Gilda de Abreu) e Coração Materno (gravada por Caetano Veloso no auge da Tropicália, pouco tempo antes da morte de Vicente).
Tal estética seguiria nos anos vindouros, através do samba-canção e do bolero, revelando novos nomes e grande sucessos de artistas como Orlando Dias (viúvo que desafogava a emoção no palco, acenando com o lenço branco para o público), Silvinho (de Esta Noite Eu Queria que o Mundo Acabasse e Mulher Governanta), Nelson Gonçalves (A Volta do Boêmio), Anísio Silva, Altemar Dutra (abastecido pela dupla de compositores Jair Amorim e Evaldo Gouveia, de Que Queres Tu de Mim?), Waldick Soriano, (Eu Não Sou Cachorro Não), Adilson Ramos (Sonhar Contigo), Agnaldo Timóteo, Nelson Ned, Agnaldo Rayol e Lindomar Castilho. Mesmo Teixeirinha, cantor e compositor dedicado à música tradicional gaúcha, obteve sua inscrição nesse clube ao gravar em 1960 a dramática Coração de Luto, uma narração da morte da sua progenitora.
Com o sucesso da Jovem Guarda nos anos 60 a musica brega ganhou nova roupagem pelas levadas de guitarra e as letras de romantismo primário, músicos de todo o país resolveram embarcar naquela onda. Em Recife, apareceu Reginaldo Rossi, líder da banda The Silver Jets, com a qual chegou a participar de alguns programas da Jovem Guarda. Seu primeiro sucesso em carreira solo foi O Pão, que abriu caminho para uma série de outras músicas com estilo muito próprio, que o tornaram um dos artistas mais populares do Nordeste a partir do começo dos anos 70: Mon Amour Meu Bem, Ma Femme (que teve mais de 50 regravações), a A Raposa e as Uvas e O Rock Vai Voltar, entre outras. Rossi tornou-se o contraponto nordestino para Roberto Carlos, apropriando-se do título do companheiro de movimento: Rei. No fim dos anos 90, sua Garçon, clássico da música de corno, transformou-o subitamente em sensação no Sudeste, ajudando a detonar uma onda de reavaliação do brega, com direito inclusive a um disco-tributo pela geração roqueira do mangue beat: Reginaldo Rossi (1999).
Seguindo Reginaldo Rossi, outros cantores passaram a disputar a atenção do público de classes sociais menos abastadas no começo dos anos 70. Em especial, Odair José, de canções como Pare de Tomar a Pílula e Eu Vou Tirar Você Desse Lugar, que chegou a cantar em dueto com Caetano Veloso no festival Phono 73. Tematizando as alegrias e tragédias de uma população de migrantes nordestinos, outros artistas como Amado Batista (O Lixeiro e a Empregada, O Acidente), Fernando Mendes (Cadeira de Rodas), Evaldo Braga (Sorria, Sorria) e Almir Rogério (Fuscão Preto) também garantiram grandes vendagens de discos. Uma versão mais moderna do que viria a ser considerada como brega daria as caras na segunda metade dos anos 70, capitaneada por Sidney Magal (de Sandra Rosa Madalena e O Meu Sangue Ferve por Você) e Gretchen (Melô do Piripipi, Conga La Conga). No lugar do embalo da Jovem Guarda, entrou a influência da discoteque e do pop dançante em voga da época, com uma grande ênfase em danças e gestos sensuais (no limite do vulgar, diriam alguns). O romantismo e seus arroubos também seguiram em alta, em trabalhos como o da paraguaia Perla (que vertia para o português canções do grupo sueco Abba) e a dupla Jane & Herondi.
O Feirão do Vinil conta com um acervo gigantesco de LPs e Compactos, muitos dele raros, de praticamente todos os artistas e todas as fases do brega.

Tá Chegando Mais

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O Acervo do Feirão do Vinil Recebe Mais Novidades esta semana

O Feirão do Vinil começa o ano de 2018 com uma nova leva de discos que devem fazer a cabeça de seus clientes e colaboradores. O acervo, que já era enorme, esta semana deve receber a aquisição de mais 10 mil LPs em vinil, 2 mil CDs e mil DVDs. Todos pelo preço de 5 reais a peça.
Os títulos fazem um apanhado de todos os gêneros, ritmos, artistas e épocas. Representando um dos mais variados e diversificados catálogos que passam pelo rock, MPB, Jazz, Pop, Hip Hop, musica sertaneja, brega, samba, bossa nova e etc.
A promoção continua imperdível.

James Brown o Rei do Soul e do Funk

By Feirão do Vinil,

Ritmo, poesia e revolução

Na segunda metade dos anos 60, James Brown já ostentava o título de “Irmão Numero Um do Soul” na América. Seu empenho e dedicação a uma carreira iniciada na década anterior renderam-lhe fama, fortuna e a legenda de “O homem que mais trabalha no showbizz”. Apesar disso, no mercado europeu sua musica ainda era o tesouro exclusivo dos DJs e mods mais descolados. Quando partiu para a Inglaterra para uma série de shows que deveriam estabelecer definitivamente sua carreira no velho mundo, um dos boatos que circulavam era o de que a viagem tinha outro objetivo: uma operação para mudança de sexo! Brown pretendia se submeter à cirurgia para assumir seu romance com seu parceiro de longa data Bobby Byrd, com quem pretendia se casar. É claro que a história era falsa! O interessante, porém, é saber que o responsável por arquitetar toda a trama e espalhar a fofoca nos bastidores do burburinho midiático da indústria musical, não era ninguém menos que o próprio James Brown! Sua lógica era a seguinte: Embora o mercado americano já estivesse ganho, durante sua ausência, um espertinho qualquer poderia aparecer e criar concorrência. Como não queria ninguém ciscando no seu quintal, era preciso manter seu nome em evidência enquanto estivesse fora. O boato escabroso foi sua estratégia para continuar em pauta.
Criador do funk e responsável por estabelecer novas regras no mercado musical – sua recusa em aceitar que um show deva se limitar a mera reprodução das músicas do disco está na raiz do que deu às apresentações ao vivo a característica de espetáculo –, para o bem e para o mal, James Brown influenciou tudo o que foi feito em musica pop depois dele. Se a obra musical tem aceitação e reconhecimento unânimes, tanto por parte do publico quanto dos especialistas, o homem divide opiniões. Da parte de seus músicos e amigos o sentimento parece um misto de admiração e rancor. Politicamente, tomou partido de causas duvidosas como apoiar a guerra do Vietnã e pedir votos para Richard Nixon, por exemplo. Isso, associado a sua boa relação com o governo, fizeram com que grupos radicais como os Black Panthers o encarassem como a encarnação de Pai Tomás. O que torna o lançamento especial é a forma como o autor refaz os passos que levaram a construção do mito no contexto histórico em que foram dados, sem tomar partido ou tecer teorias que justifiquem as atitudes de seu personagem.
De roubos de carros à conquista do mundo
O livro narra a trajetória de James Brown desde a adolescência errática entre Macon e Toccoa, na Georgia, quando o jovem vivia se equilibrando numa linha fina entre ser encarcerado e a conquista do mundo. Sua primeira passagem pela prisão por assalto a mão armada só não durou mais tempo devido à intervenção dos pais de Bobby Byrd, que assumiram a responsabilidade como tutores do garoto arredio e criador de caso. Embora soubessem o quão hercúlea seria a missão, eles acreditavam no talento do parceiro musical de seu filho. Já nessa época, seu potencial era notado, tanto pelas pessoas que o cercavam quanto por ele mesmo o que, de certa forma, o atrapalhava. A arrogância, típica dos que têm consciência de seu valor, multiplicava em muito seu magnetismo para arrumar encrenca. São tempos difíceis já tendo na música o objetivo para a vida, dividindo-se entre ensaios e apresentações com o The Famous Flames, ao lado de Byrd, e cantar no coral da igreja. Mas, também de bicos, subempregos e o roubo e desmonte de carros para faturar um extra.
De seu primeiro sucesso com “Please, please, please” (1956) e a conquista do estrelato nas décadas de 50 e 60, passando pelo processo criativo que deu origem a alguns dos hits que entraram para a história e nosso imaginário como “Papa´s got a brand new bag”, “I got you (I feel good)”, “It´s a man´s man´s world”, “Get Up (I feel like being a) Sex Machine”, entre muitos outros, o livro traça um perfil detalhado do músico de gênio difícil que amava a fama e suas vantagens, mas que também encarava as dificuldades em lidar com ela. Num dos trechos mais emocionantes, fala sobre o acidente aéreo que vitimou seu amigo na vida e rival nos palcos, Otis Redding juntamente com sua banda The Bar-Keys, em 1967. Abatido, Brown aceitou de pronto ao convite para ficar a frente entre os que conduziriam o caixão na cerimônia funerária. Chegando ao local, ficou chocado com a atitude dos fãs enlouquecidos que, mesmo num momento tão difícil, o cercaram, agarraram e chegaram a rasgar suas roupas, desesperados por algo de seu ídolo. Quando finalmente conseguiu se desvencilhar da multidão foi impedido de entrar pelos seguranças. Na confusão, tinha perdido sua credencial. Apesar de os seguranças saberem quem ele era, as ordens eram claras: para preservar a família, ninguém deveria entrar sem estar credenciado, restando a Brown voltar para casa sem poder se despedir do amigo.
Negro e com orgulho
Não é exagero incluir o nome de James Brown entre os que mais fizeram pela emancipação da América negra. Consciente de sua negritude ergueu como poucos a bandeira do orgulho negro em entrevistas e composições que levantavam o moral dos seus e se tornaram hinos na luta pelos direitos civis, como “(Say it loud) I´m Black and proud!”. Defendia que a revolução da América negra estava na educação, não nas armas. Seu carisma e poder de persuasão sobre as comunidades negras faziam dele quase tão influente quanto o Doutor Martin Luther King. E é justamente com o assassinato de King que tal característica fica evidente. Se as ruas pareciam barris de pólvora naqueles dias turbulentos, a fagulha que provocou a explosão foi fornecida no fatídico 4 de abril de 1968, quando o pastor e ativista foi alvejado por tiros num atentado covarde. Na mesma data, o musico se apresentaria em Boston para um show muito aguardado. Cancelar o evento poderia acirrar ainda mais os ânimos. A solução encontrada foi exibi-lo ao vivo pela TV, num acordo financeiro entre a prefeitura, James Brown e os organizadores. Como ninguém perderia a oportunidade de assistir ao Mr. Dynamite da poltrona de casa, Boston foi a única cidade a não registrar tumultos naquela noite. No dia seguinte, representantes do governo caçavam Brown para que gravasse os vídeos que foram veiculados nas TVs de todo o país, nos quais pedia paciência e reforçava seu poder conciliador. Embora bem explorado aqui, o episódio é tão importante que uma leitura de O dia em que James Brown salvou a pátria, de James Sullivan, lançado aqui pela Zahar Editores, serve como complemento.

Michael Viner´s Incredible Bongo Band

By Feirão do Vinil,

A Surf Music, o Cinema B, o Beatle, o Assassino e a origem da Batida Fumegante

O que há em comum entre o grupo britânico The Shadows, o assassinato de Bob Kennedy, um filme de terror B chamado “A Coisa de Duas cabeças”, um músico que, induzido por vozes do além, assassiou a própria mãe a golpes de martelo, o ex-Beatle Ringo Starr e o nascimento da batida perfeita do Hip Hop? Resposta: Michael Viner e sua Incredible Bongo Band.
Lançado em 1973 o álbum “Bongo Rock”, da Michael Viner´s Incredible Bongo Band, teria caído no esquecimento não fosse a apropriação da faixa “Apache”, versão de um clássico da surf music sessentista na gravação dos Shadows, pelo DJ jamaicano Kool Herc ainda na fase embrionária do movimento Hip Hop.
Ainda hoje, a santíssima trindade do ritmo e do risco, formada por Herc, Grand Master Flash e Afrika Bambataa, defende a música como a pedra fundamental da batida do rap. E, embora na época de seu lançamento “Bongo Rock” não tenha representado um sucesso arrebatador em vendas, hoje o vinil é disputado a tapas por DJs ao redor do mundo.
Mas este disco vai muito além de “Apache”, tratando-se de um dos melhores exemplares de “disco-para-balançar-as-pistas” já feito. Ao longo das oito faixas originais que compunham o álbum, todo ele instrumental, encontram-se pérolas como a versão do grupo para “In-A-Gadda-Da-Vida”, clássico proto-heavy metal (se é que isso existe) do Iron Butterfly, ou “Let There Be Drums”, famosa tanto na versão de Sandy Nelson, como na dos Ventures, num misto de groove funky, guitarras psicodélicas e percussão poderosa. É deixar rolar e a festa pegar fogo!
Mas a coisa não termina ai. Como todo clássico Cult, “Bongo Rock” possui uma história digna de um romance pulp experimental, carregado de humor e violência bizarra.
Começa quando Michael Viner, depois de perder seu emprego na campanha de Bob Kennedy, após o assassinato do congressista, muda-se para Hollywood para assumir o papel de executivo no departamento de trilhas sonoras dos filmes da MGM.
Encarregado de cuidar da trilha de um terror B intitulado “The Thing With Two Heads (1972)”, Viner decidiu reunir uma turma de músicos de estúdio para gravar duas faixas para o filme: “Bongo Rock” e “Bongolia”. Embora até ai a colaboração entre os músicos fosse temporária, limitando-se a composição e gravação das musicas do filme, a banda foi batizada Incredible Bongo Band.
O projeto, no entanto, ganhou outras proporções quando DJs passam a executar as duas primeiras gravações em pistas de casas noturnas, resultando no inesperado sucesso, como grandes hits do momento.
Viner e seus empregadores viram a possibilidade do lucro extra que poderia render a gravação de um álbum inteiro e assim foi feito.
Uma das histórias mais cômicas envolvendo o lançamento, partiu dos executivos de marketing da gravadora. Baseando-se em uma pesquisa, o departamento acabou por concluir que o público consumidor do gênero predominante na maioria das faixas jamais investiria seu dinheiro em um disco de Black Music feito por um grupo composto por muitos integrantes brancos e poucos negros. A banda concordou e a estratégia utilizada para driblar o problema foi contratar belos modelos afro para posarem nas fotos do encarte e da capa do disco, como se fossem os integrantes da banda (deve ter sido a escola dos produtores do Milli Vanilli).
Como a banda era cada vez mais requisitada para apresentações ao vivo (embora elas nunca tenham acontecido), não demoraria para a farsa ser desmascarada. O bom senso veio à tona e a arte teve de ser mudada às pressas. Somente a primeira tiragem circulou com as fotos da banda falsa. Hoje, quando aparece uma das cópias no mercado, chega a ser disputado a tapas por colecionadores.
Apesar do sucesso de execuções, na época, o disco não chegou a confirmar as expectativas de vendas. O fracasso, no entanto, tem mais a ver com falhas na distribuição e promoção do álbum do que com as teorias mercadológicas raciais dos executivos. Talvez tenha mais a ver com o fato de, apesar de requisitadas apresentações, uma turnê de promoção do lançamento nunca aconteceu. Muito provavelmente pela dificuldade de reunir o time e sintonizar a agenda dos músicos que gravaram o álbum.
É que, na verdade, a Incredible Bongo Band é uma banda de estúdio que acabou ganhando outras proporções. A cozinha era formada por Michael Viner, músicos de estúdio e uma série de baixistas e bateristas contratados, dentre os quais se destaca o baterista Jim Gordon que tocou, entre muitos outros, com nomes como Frank Zappa, Traffic, John Lennon e Eric Clapton, na fase Derek and The Dominoes. É dele a bateria da gravação original de “Layla”.
Excelente baterista, Gordon teve uma trajetória marcada pela tragédia e aqui entra a violência bizarra prometida no início do texto.
Afundando-se em drogas e dono de um histórico clínico que ia das síndromes maníaco-depressivas aos surtos psicóticos, Gordon acabou por assassinar a própria mãe a golpes de martelo. Impossível não pensar na participação dele, durante as gravações de “Imagine”, sem enxergar a carga irônica por trás de John Lennon entoando seu hino à paz e, ao fundo, o Norman Bates do rock na percussão, somente a participação de Charles Manson no Live Aid conseguiria ser mais grotesca. Gordon foi condenado pelo crime e, ainda hoje vive internado em um hospital psiquiátrico.
A Bongo Band ainda gravou um segundo disco em 1974, batizado “Return of The Incredible Bongo Band”. Tão bom quanto o primeiro e fracasso de vendas ainda maior, o disco foi último suspiro ou o epitáfio a ser gravado na lápide de uma carreira que definhava. A Bongo Band nunca retornou dos mortos, mas seu legado, no entanto, ainda vive é sentido nas pistas de dança, já que suas músicas têm sido sampleadas à exaustão por nomes do rap e música eletrônica em geral.

Ah, onde o Ringo Starr entra nessa história? Uma das lendas não confirmadas sobre o ex-Beatle é a de que seriam do narigudo algumas das percussões gravadas no primeiro álbum. Amigo de Viner e do resto dos músicos, sua presença no estúdio é confirmada durante a maioria das sessões. Mas não se sabe se teria gravado em algumas das faixas e, sendo assim, quais delas teriam sua participação.
No Feirão do Vinil você pode encontrar este e outros títulos importantes da história da musica de pista por apenas 5 reais a peça.