Category: Contracultura


Psicodelia Barroca 1 – The Free Design

By Feirão do Vinil,

 

 

The Free Design

 

Autor do clássico “Spaced Out” (1973), Enoch Light foi produtor da fase mais inspirada do The Free Design. Banda genial, mas pouco conhecida, dos 60s.

Formado pelos irmãos Chris, Bruce e Sandy – mais tarde, Ellen a caçula, também integraria o grupo –, o The Free Design surgiu como parte da cena folk de Nova York na segunda metade dos sessenta. Filhos do jazzista Art Dedrick (trombonista e arranjador) e sobrinhos do trompetista Lyle “Rusty” Dedrick, tinham musica no sangue e logo ganharam notoriedade. Lançaram o primeiro álbum, “Kites are Fun”, em 1967 contando com a colaboração do pai nos arranjos “classudos” que casam perfeitamente com as harmonias vocais maravilhosas dos irmãos Dedrick.

Seus discos devem girar com freqüência nas vitrolas de gente bacana como The High Llamas, Broadcast e Stereolab, entre outros. Normalmente classificado como “Baroquee” ou “Psicodelia Barroca” (Seja lá o que isso signifique), o Free Design pode ser catalogado ao lado do Left Banke, The Association, The Turtles (fase “Happy Togheter”) e outros grupos inclusos no rótulo. Seus álbuns são bons para ouvir em sequência com o “Pet Sounds” dos Beach Boys ou “Odessey and Oracle” dos Zombies.

 

 

Estas classificações, no entanto, só servem para fechar num mesmo pacote artistas com influências e conceitos estéticos parecidos, se esquecendo da singularidade de cada um. No Free Design, por exemplo, é possível perceber em muitas composições forte influência do Jazz, com certeza, trazidas pelo pai arranjador. Bom exemplo é a bela versão deles para “Summertime”, extraída do EP “Heaven/Earth” de 69. De arrepiar

 

 

 

 

 

Feirão do Vinil

Endereço Rua Quintino Bocaiúva, 309 – Sé

São Paulo – SP

Tel.: (11) 3105-6714

 

 

 

 

 

Bob Dyla e Greil Marcus no Feirão do Vinil e Esquina Cultural

By Feirão do Vinil,

 

Bob Dyla e Greil Marcus no Feirão do Vinil e Esquina Cultural

 

Nascido em 1945, Greil Marcus presenciou – às vezes in loco – momentos que redefiniram a musica contemporânea, trabalhando para veículos como Rolling Stone, Creem e Village Voice. Alguns de seus livros, como “Mystery train” (1975) são considerados revolucionários na forma de se fazer crítica de rock. Marcus não acredita no hype e, quando segue uma pauta, vai além do objeto estudado considerando fenômenos sociais e seu contexto histórico.

Daí que seus textos podem citar heréticos medievais, o Dada (é sempre bom lembrar que não existe dadaísmo e, se você não concorda, você é Dada!) e os Situacionistas para chegar ao punk. Infelizmente no Brasil seus livros não são publicados com frequência. Que eu saiba, saiu por aqui apenas a coletânea “A última transmissão”, parte da ótima coleção iêiêiê da Conrad Books (que saudades dessa editora!), cuja reportagem sobre o novo punk (Pós-punk, se preferir), representado por bandas como o Gang of Four e o, ainda iniciante, selo Rough Trade é exemplo do que escrevi acima.

Agora chega às nossas livrarias “Like a Rolling Stone: Bob Dylan na Encruzilhada”, lançamento da Companhia das Letras. Aqui, Marcus debruça-se sobre a histórica gravação de mister Robert Zimmermann de “Like a Rolling Stone”, canção que abre o álbum histórico “Highway 61 Revisited”.

O jornalista teve acesso às sessões de gravações do clássico, ocorridas em 15 de junho de 1965, período conturbado na carreira do artista. Dylan vinha de sua estréia com instrumentos elétricos, ocorrida no álbum anterior “Bringing it all back home”, e suas apresentações normalmente culminavam com gritos de “Judas!” vindo da platéia mais purista, que o havia alçado a posto de seu porta-voz – só não perguntaram antes se ele aceitava o cargo.

A verdade é que “Like a Rolling Stone” representa uma virada no conceito criativo do rock. A partir dali, o rock, que também havia influenciado Dylan para sua guinada elétrica, começa a abandonar os temas leves e pode-se dizer que só a partir dai ganha status de arte. Marcus, no entanto, não se fecha numa biografia da música, fazendo uma análise da importância de Dylan através dos artistas que influenciou e o fato de sua obra ainda ser relevante nos dias de hoje.

Curiosidade: Os teclados, que são uma das marcas da canção são tocados pelo lendário guitarrista Al Kooper. A verdade é que Kooper nunca havia tocado um instrumento de teclas antes – pelo menos é o que reza a lenda – e o que está ali é o guitarrista “tentando” fazê-lo.

A obra completa de Bob Dylan pode ser adquirida no Feirão do Vinil, assim como os livros de Greil Marcus editados no Brasil estão disponíveis no Esquina Cultural, localizado no mesmo endereço.

 

Esquina Cultural e Feirão do Vinil

Endereço Rua Quintino Bocaiúva, 309 – Sé

São Paulo – SP

Tel.: (11) 3105-6714

 

 

Sérgio Sampaio e os 45 anos de “Meu Bloco na Rua”.

By Feirão do Vinil,

 

Sérgio Sampaio e os 45 anos de “Meu Bloco na Rua”.

 

Ano passado foi comemorado os 45 anos do lançamento de Eu quero é botar meu bloco na rua. Lançada em 1972, a marcha-rancho tomou o país ao ser apresentada no VI Festival Internacional da Canção e veio a ser o sucesso arrebatador do carnaval do ano seguinte, dando título também ao álbum de mesmo nome lançado em sequencia, vindo a se tornar um marco na história da musica popular brasileira e também na trajetória de seu compositor e intérprete, o músico capixaba Sérgio Sampaio.


Compositor e interprete, dono de uma biografia tão intensa quanto a qualidade suas criações, Sérgio Sampaio brilhou entre as grandes estrelas do MPB durante os anos de 1970 e, até sua morte em 1994, sua carreira passou por altos e baixos – o que não se pode dizer da qualidade de suas composições, que só vieram a crescer –, resultando na concepção de uma obra que reúne álbuns clássicos como Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua (1973), Tem que acontecer (1976), Sinceramente (1981) e outros que entraram para a história de nossa musica. Também gravou Sociedade Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 (1971), ao lado de Raul Seixas, Edy Star e Miriam Batucada.


Durante sua trajetória, o músico ganhou a admiração e o respeito de uma infinidade de nomes de seu meio, devido à grandiosidade de suas composições e intensidade de sua poesia. Raul Seixas, Wally Salomão, Elba Ramalho, Zeca Baleiro e Elba Ramalho são apenas alguns dos nomes que deixaram claro sua paixão pela obra do capixaba, para ficarmos em apenas alguns.

O mais impressionante é que, desde então, o poder de encantar de suas composições só veio a crescer, contribuindo para que o músico esteja hoje entre alguns dos nomes mais respeitados pelas novas gerações, dentre os músicos de sua época.